
Nos últimos dias, uma notícia dominou as conversas no ecossistema global de tecnologia. A Meta anunciou a aquisição de uma startup estratégica de inteligência artificial por mais de US$ 2 bilhões. Trata-se da Manus, uma empresa especializada em agentes autônomos e IA de propósito geral, com sede em Singapura e fundada originalmente por empreendedores chineses. A movimentação faz parte da estratégia da Meta para fortalecer suas capacidades em IA avançada e integrar essas tecnologias de forma mais profunda aos seus produtos e serviços.
À primeira vista, pode parecer apenas mais um movimento de consolidação entre gigantes. Mas, ao olhar com mais profundidade, o recado é outro: a disputa pela liderança em IA entrou definitivamente em uma fase geopolítica, estrutural e irreversível.
O que muda na estratégia mundial de IA e por que o Brasil precisa prestar atenção agora. Essa transformação não acontece apenas “lá fora”; ela chega de forma rápida e silenciosa ao Brasil, impactando as empresas, os executivos e as decisões que estão sendo tomadas.
A estratégia por trás da compra não é sobre produto, é sobre poder
Durante muito tempo, a corrida da IA foi percebida como uma disputa por modelos mais inteligentes ou interfaces mais impressionantes. Essa fase acabou. O movimento da Meta deixa claro que o foco agora é:
- controle de infraestrutura cognitiva
- domínio de agentes autônomos
- escala de dados, contexto e tomada de decisão
- independência tecnológica frente a concorrentes e governos
A Meta não está comprando apenas tecnologia. Está comprando capacidade de execução em larga escala, algo essencial para competir com players como OpenAI, Google e Microsoft. É a passagem definitiva da IA experimental para a IA operacional, aquela que age, decide, negocia, cria e otimiza processos sozinha.
Existe um ponto que poucos estão verbalizando, mas que já está claro para governos e big techs, a IA deixou de ser apenas software e passou a ser infraestrutura estratégica. Isso ajuda a explicar por que a aquisição da Meta gerou reações políticas imediatas nos Estados Unidos, especialmente por envolver fundadores de origem chinesa. Hoje, controlar IA significa controlar:
- fluxos de informação
- automação de decisões
- influência econômica
- vantagem competitiva entre países
É o mesmo tipo de discussão que, no passado, envolveu petróleo, energia nuclear e telecomunicações. A diferença? Agora tudo acontece em escala digital e velocidade exponencial.
O que isso muda na prática para empresas globais
Para organizações multinacionais, a mensagem é clara:
- depender de IA de terceiros será um risco estratégico
- não entender IA como processo de negócio será erro de gestão
- tratar IA como “projeto de TI” será obsolescência anunciada
Empresas que liderarem essa nova fase terão três características em comum:
- IA integrada à estratégia, não como ferramenta isolada
- Governança forte, com ética, segurança e controle
- Capacidade de adaptação cultural, não apenas técnica
A Meta está se posicionando para isso. Outras seguirão o mesmo caminho.
E o Brasil nisso tudo? O impacto é direto mesmo que pareça distante
É comum ouvir que “essas disputas não chegam aqui”. Isso é um erro perigoso. O impacto para o Brasil acontece em pelo menos quatro camadas.
1️⃣ Dependência tecnológica tende a aumentar
Hoje, a maioria das empresas brasileiras:
- consome IA como serviço
- não domina modelos
- não controla dados estratégicos
- não define regras de uso profundo
Quanto mais as big techs consolidam poder, maior é o risco de:
- aumento de custos
- limitação de personalização
- dependência de decisões externas
- vulnerabilidade regulatória
2️⃣ Pressão por eficiência vai subir e rápido
Se grandes empresas globais operarem com IA autônoma:
- custos caem
- velocidade aumenta
- produtividade dispara
Empresas brasileiras que não avançarem sofrerão com:
- perda de competitividade
- margens comprimidas
- dificuldade de escalar
- decisões lentas demais para o mercado
Não é sobre “ter IA”. É sobre operar melhor com ela.
3️⃣ Mercado de trabalho entra em nova fase
Não estamos falando apenas de substituição de funções. O que muda é:
- o perfil de liderança
- a forma de tomar decisão
- o papel humano dentro dos processos
As empresas que entenderem isso vão redesenhar funções, times e modelos de gestão. As que não entenderem vão apenas reagir e poderá ser tarde demais.

Apesar dos riscos, há uma oportunidade clara:
- empresas brasileiras podem criar IA aplicada ao contexto local
- setores como saúde, agronegócio, governo, educação e serviços têm enorme espaço
- há demanda por especialização, não por escala global
O jogo não é competir com a Meta. É usar IA com inteligência estratégica, foco em valor e impacto real.
O papel da liderança: tecnologia não é mais delegável
Talvez o ponto mais importante dessa seja este: IA deixou de ser tema exclusivo da área de TI. Hoje ela impacta diretamente:
- estratégia
- custos
- risco
- reputação
- confiança do cliente
- sustentabilidade do negócio
Executivos que não entenderem isso estarão tomando decisões incompletas ou perigosas.
A tecnologia que realmente importa agora é aquela que:
- simplifica
- protege
- gera valor
- respeita limites humanos
O que essa aquisição simboliza, no fim das contas
A compra da Meta não é apenas uma manchete. Ela simboliza:
- o fim da ingenuidade sobre IA
- o início de uma disputa estrutural
- a necessidade urgente de maturidade estratégica
Para o Brasil, o alerta é claro: não dá mais para observar de longe. Quem se mover agora constrói vantagem. Quem esperar, corre atrás se ainda der tempo.
A tecnologia pode ser uma valiosa aliada para todos nós, desde que seja utilizada de maneira equilibrada e segura, garantindo que todos nós tenhamos acesso seguro e informações confiáveis.
Fonte folha vitória




